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10 abril 2008

Decerto mais um pedaço de "double-thinking"

A blogoesfera tem estas coisas, e o Claquete ainda mais. Depois de uma polémica postiça e frívola a favor de Ridley Scott, esse portento da liberdade cinematográfica contra tiranos como Straubs e Pedros Costas, decidem agora investir a favor de Charlton Heston.

Como sabe quem lê o meu blogue, homenageei Heston. Não era particularmente competente enquanto actor, mas teve a sorte de estar no momento certo na hora certa - os filmes com Welles e DeMille e também, em menor medida, Soylent Green e Planet of the Apes - Ben Hur, para mim, é mais um feito comercial que cinematográfico. Está na história do Cinema por esses filmes mas não era um dos melhores do seu tempo, nem de longe.

A questão é que, para o Claquete, não achar Weston um actor excepcional é um acto de ignorância e desfaçatez política e de "double-thinkink". Para João Eira, autor do texto, Heston "foi, acima de tudo, um lutador pela mais moderna e radical das liberdades – a necessidade de permitir a cada ser humano viver e pensar de forma independente, para além de esquematismos ou conveniências políticas e sociais do momento". E estou completamente de acordo: há maior liberdade do que poder mandar um balázio no bucho de alguém a seu bel-prazer? Penso que não.

Contudo, fazer política de forma rasteira é uma tentação de alguma blogoesfera nacional, e João Eira não lhe escapa. Ficamos a saber que, se alguém percebe que Heston não era um actor excepcional é porque tem a tendência de ver a denúncia orwelliana como um manual de crítica cinematográfica. Comentando, escandalizado, este obituário, Eira pergunta: "Será que o double-thinking de Orwell já anda por aí? De que outra forma justificar que a inteligência e o argumento passem por imbecilidade e o insulto por heroísmo, como parece acontecer na caixa de comentários do referido post? Ou que o imberbe berrante insulte o activista esforçado? Como explicar que mentiras factuais primárias (a NRA e Heston não deram a vitória a ninguém em 2000 e Heston não mudou de partido “da noite para o dia”) sejam postuladas como verdades intocáveis? Que, cravando um último prego no caixão da decência, um homem – com “h”´s e sabe-se lá mais o quê pequeno – chame fingido ao honesto?"

Como se a comédia involuntária não bastasse, Eira cita Pacheco Pereira, a quem apelida de "lúcido" (!!!!!). O texto do venerando comentador não será citado aqui, por motivos de higiene, mas é curioso de ver como Eira e Pereira não deixam de manter os seus espaços mesmo rodeados de lodo (como diz o colega de Eira). Porque, como aponta o texto de Pacheco Pereira, também eles acham que os problemas começam no blogue do lado.
Se Orwell soubesse em que viriam a ser utilizadas as suas brilhantes ideias, ter-se-ia mudado para a URSS.

22 novembro 2007

Da Weasel


Não é que quem usa cobardemente um pseudónimo mereça grande resposta, sobretudo quando não tem a dignidade de se saber proteger em condições. Contudo, há algumas questões que me apetece comentar nesta posta. Até porque, de momento, não apanho aviões para lado nenhum e o único sítio onde faço escala é em Sacavém para apanhar um autocarro diferente.

Ao fazer tal coisa, sabemos estar a abrir um precedente sem retorno. A partir de agora, qualquer blogue, por mais refundido e anónimo que seja, vai achar que tem direito de antena no Lodo. Mas temos consciência disso e, como somos democráticos, acreditamos que todos têm direito aos seus cinco minutos de Lodo.

Lido bem com a minha insignificância. Bem melhor do que os galrinhos deste mundo, apostados em polémicas idiotas. Mas se é de tempo de antena que falamos, lembro este seu post em que, com a boçalidade do costume, agradece ao Hugo Alves o protagonismo que lhe deu. E bastava ter posto um link no Claquete…

O Miguel confessa ao mundo que quer ser crítico de cinema. É sempre bom ver um jovem no vigor da idade confessar que o seu objecto de vida é tão nobre e altruísta como ser crítico de cinema. É inspirador! Mas recentemente o Miguel tem-se demonstrado desencantado com a vida, triste e prestes a abandonar o seu sonho.

Caríssimo homónimo: nos meus sentimentos, projectos e desejos para a minha vida, mando eu. Discuta comigo sobre o que quiser, mas meta-se na sua, que é o melhor que faz.

Na verdade, achamos que ele tem até um perfil adequado para a crítica de cinema. Basta ver os exemplos da linhagem da contratação de críticos de cinema pelos nossos jornais e canais de televisão – Jorge Mourinha, Ana Markl, Marco Oliveira, etc. - para perceber que o Miguel tem todos as condições para lá chegar.

Achamos? Quem é a outra pessoa, por detrás do pseudónimo?
E, já agora, aproveito para dizer que as comparações com o Mourinha, com qualquer um dos Markl ou com o Oliveira não me chateiam nada. A partir de hoje, ficarei chateado é se me compararem com o Miguel Galrinho.

É neste momento que cabe, então, perguntar o seguinte: se, nos dias que se seguiram à publicação do referido texto, o Sound and Vision e o Viver Contra o Tempo tivessem fechado, seria justo comparar Miguel Domingues a uma doninha fedorenta que não merece importância? Impressionante como o autor de um dos textos críticos com objectivo mais duro e arrasador que se tem visto na blogosfera, é também quem reage desta forma a críticas que nem sequer lhe foram dirigidas: comparando-nos a animais de jardim zoológico.

Se sou insignificante, verdade que não contesto, como poderia ter contribuído para o fecho destes blogues? O mesmo se passa no que escrevi sobre vocês: esperava que não se vos desse a importância que vocês não têm (e não deram: o Nuno já aí está outra vez). E se não tivesse lido o que escreveu sobre mim, não vos tinha dado mais importância nenhuma.

Em todo o meu tempo de blogoesfera, tive apenas uma (1) querela pessoal, com o Francisco Valente. Em que, assumo, até podia ter agido diferentemente. Mas uma coisa é certa: fi-lo frontalmente, assinando com o meu nome. Insignificante sim, cobarde não. E fi-lo seguindo ideias minhas, mantendo uma coerência discutível, mas pessoal. É mais do que se pode dizer de vocês, que atacam a torto e a direito sem qualquer ética.