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13 abril 2009

A melhor coisa que alguma vez existiu em todos os tempos desde que a Humanidade foi criada!

Se depois deste pequeno grande exemplo tiverem dúvidas do genial que é 30 Rock e da autêntica génia que é Tina Fey... vão ao médico!

06 outubro 2008

LEGEND ... wait for it... DARY!


A minha semana tem, ultimamente, um ponto alto: o domingo à noite. Paradoxal? Talvez, tendo em conta a profunda depressão que se instala em mim como nos outros pelo facto de ter de ir trabalhar no dia a seguir. Acontece que, pelas 22h15m, tudo me é indiferente: as quedas da bolsa e será que o Benfica vai manter a boa forma dos dois últimos jogos e porque é que o tabaco não custa 25 cêntimos o maço e mais uma semana que passou e não escrevi nada de jeito aqui no blogue e quando ligo a televisão só vejo o Sócrates e o Cavaco e gajas de mamas postiças no horário nobre da TVI que agora até tem o Vasco Pulido Valente que vai dar ao mesmo enquanto me lembro do gajo que disse em pleno autocarro que “o novo filme do Sidney Lumête [sic] se chama Enquanto o Diabo esfrega o olho”.

A razão é uma prodigiosa série chamada How I met your mother, que começa à referida hora e ao dia marcado na Fox Life. Juntando o melhor de Cheers (o conceito de Happy Hour, as terapêuticas cervejas emborcadas para esquecer num sítio sempre igual, portador de conforto e estrutura – duas coisas que não podiam estar mais longe da rotina) e Seinfeld (a exploração e teorização maníaca, quase psicótica, tanto sobre os aspectos mais insignificantes do quotidiano quanto das relações humana, no seu lado mais ritualizado e “cultural” – postura que poderá ser atribuída a também esta série se passar em Nova Iorque) é, excelente ideia!, a história de um pai que resolve contar aos seus filhos, em 2030, como conheceu a sua mãe. Felizmente, o foco não é, pelo menos por enquanto, a relação entre mãe e pai, mas tudo o que se passa antes, no presente do espectador: casais ocasionais, paranóias colectivas, apostas resolvidas à chapada, e o Barney, porra, o Barney.





E que achados são estas personagens! Ted, tão normal e sempre metido em sarilhos; Robin, fechada, frígida e com um medo brutal do compromisso; Lily e Marshal (respectivamente Allyson Hannigan, de Buffy the Vampire Slayer e Jason Segel de outra série cá do panteão, a memorável mas esquecida Freaks and Geeks), os mais inocentes, mais puros do grupo, casal desde que se conhecem, pêndulo para os demais. E depois há Barney. "White trash", convencido de que é "bon-vivant", a um tempo completamente lúcido e absurdo, dava uma série sozinho.

Nada disto, por si só, faz uma boa série e, inclusivamente, já o vimos em muitas outras sitcoms. O que faz desta série notável a todos os títulos é que o seu dispositivo em constante flashback (e as piadas que daí advêm, como o facto de os charros consumidos na faculdade serem substituídos, na moral da história contada aos filhos, por sanduíches) possibilita uma doce e diáfana nostalgia por um tempo em que tudo era possivel, em que cada dia era passível de aventuras que acabavam connosco estatelados no chão mas com a capacidade de nos levantarmos e de seguirmos em frente, a começar por um passeio até ao bar da esquina para irmos ter com os nossos amigos e saborear uma fresquinha. Nunca acreditei que a vida fosse este mar de possibilidades – nem quando tinha dezasseis anos, muito menos hoje, oito horas por dia fechado numa companhia de seguros. A única altura em que acredito é aos domingos, na Fox Life, às 22h15m.




24 agosto 2008

TVI, Sexta-Feira, 22:00


Nos meus tempos de escola preparatória, quando o Benfica jogava pessimamente (é incrível ver o quanto isto mudou – ou não…), a minha vida era simples. Como não podia esperar pelo fim-de-semana para ver Clóvis, Paulão, Nelo ou Akwa, sob risco de enlouquecer com as más exibições, o ponto alto da minha semana eram as aventuras de Mulder e Scully. Não me interessavam notas escolares (a minha principal motivação para as manter boas era não ouvir da minha mãe), aquecimento global (anos 90 bem medidos, ninguém queria saber) ou a recessão. Queria apenas saber se a irmã de Mulder ia ser encontrada, perceber até que ponto se podia confiar em Walter Skinner ou tremer de medo com o Cigarette-Smoking Man. Até ao momento, foi a mais importante relação televisiva que mantive, e das poucas coisas que, já na altura, me faziam suportar o asco da TVI.

Ao ver The X-Files: I want to believe, o que me surpreende mais é o quanto o mundo mudou. The X-Files foi, juntamente com Seinfeld, a série dos anos 90 que melhor capturou o zeitgeist. Seinfeld era a série que melhor exemplificava o fim da História de que falava Francis Fukuyama: num mundo sem grandes quezílias político-ideológicas, de prosperidade económica e onde, facto assustador, a moral desapareceu porque Deus morreu, tudo são hilariantes trivialidades. The X-Files era o seu duplo: sem a paranóia anti-vermelha, e com a aparência de que, geo-estratégicamente, tudo estava resolvido, olhava-se, a um tempo, totalmente para fora e totalmente para dentro. Fox Mulder, no fundo, é isso: alguém que se enterra no estratosférico e, de caminho, olha para si mesmo e nunca gosta do que vê. Simultaneamente, a América que já não tinha ameaças exteriores tratava de as encontrar no seu próprio território.

Entrando no cliché, esta visão serviu também para perceber o que mudei: aquilo que me fascinava há 15 anos, hoje não me convence. O problema reside em saber se isso é apenas do filme, banal e esquemático, ou se conseguirei rever a série com o mesmo fascínio da minha meninice. Palpita-me que não.

05 março 2008




I won’t go down in History, but I will go down on your sister – Hank Moody, um Bukowski moderno

Uma grande notícia, para todos nós que na nossa infância/juventude sintonizávamos a TVI às sextas-feiras para ver The X-Files: Fox Mulder está definitivamente morto, e o responsável por isso é o escritor Hank Moody, centro nevrálgico desta belíssima Californication.

Série sobre a decadência e a progressiva vontade de redenção, Californication é uma carta de ódio ao estado norte-americano que lhe dá título. Hank Moody, autor que abalou o meio literário norte-americano com os primeiros conto e romances, foi para a Califórnia seduzido, aliás, derrotado pelos milhões que a indústria cinematográfica atira à cara dos romancistas desde que estes estejam disponíveis para destruir as suas criações. Acontece que, habituado ao meio literário e artístico nova-iorquino, nada mais vê na sua nova e solarenga terra que falsidade, corrupção e laxismo. Quando a esposa (Natascha McElhone) o deixa, e leva atrás a filha (Madeleine Martin, a melhor actriz jovem que vi em muito tempo), Moody entra em bloqueio criativo e divide o seu tempo entre cigarros, drogas, álcool, mulheres (a sea of pointless pussy, diz a ex-mulher), álcool, drogas e cigarros, até que decide que é tempo de mudar.

Prodigiosamente bem escrita (ideia e argumento de Tom Kapinos), com noções muito precisas de ritmo e de construção frásicos, Californication é uma chapada no politicamente correcto, uma série que, nos primeiros oito episódios dos doze que compõe a temporada de estreia, vai ao ponto de mostrar actos sexuais entre um quarentão e uma menor de idade, rituais sadomasoquistas entre patrão e secretária e, logo na introdução do primeiro episódio, uma freira como interesse sexual. Enquanto a excelente Sex and the City aproveita o sexo para questionar papéis sociais e sexuais na sociedade americana do presente, Californication foca-se na solidão, na frustração e na incapacidade para, pelo menos momentaneamente, não conseguirmos expor todo o nosso talento. Aproveitando a deixa de Sex and the City, juntamente com Oz (nada coincidentemente, como a primeira também da cadeia por cabo HBO), uma das primeiras séries televisivas onde o palavrão é essencial, é também uma série imensamente realista em termos verbais, onde as pessoas dizem palavrões e se insultam mutuamente, tal como na vida real - o diálogo de Moody com o pai, num dos episódios mais tocantes da série, é exemplificativo de um tratamento das relações que nada tem a ver com o dramalhão contemporâneo e em que, pasme-se!, uma série admite que há relações familiares que nunca resultarão. Por último, há momentos delirantes de comédia escatológica, como Moody a vomitar para cima de um caríssimo exemplar de pop-art.


Para o futuro, uma questão se coloca a Tom Kapinos: valerá a pena fazer uma segunda temporada de Californication, quando, com a excepção do “cliffhanger” do que acontecerá ao novo romance de Moody, tudo o resto parece estar resolvido? Sobretudo, a série perde um pouco em termos de qualidade para o final da temporada, quando a redenção se sobrepõe à decadência, numa tendência que, a continuar, pode prejudicar o produto final. O melhor seria ficarmos por aqui, e lembrarmo-nos de uma das personagens mais explosivas e mais tresloucadas que vimos nos últimos tempos.

Voltamos, então, a David Duchovny, que com apesar do seu ar de “boy next door” se enquadra sempre melhor em bombas ao retardador do que em homens ditos “normais”. Numa carreira que nunca se reencontrou após o sucesso de The X-Files, Hank Moody é a nova bomba relógio, o novo homem em queda e sempre contra o mundo. Não sei se é um renascimento profissional; mas sei que para mim, Fox Mulder morreu. Sem Duchvny, Californication não teria metade da sua humanidade e do seu realismo. Consequentemente, sem Duchovny, Californication não teria metade do seu interesse.