23 julho 2007
20 julho 2007
Pragmatismo Clássico



"That's enough of that shit." - what Eastwood says after a take, instead of "Cut!"
05 julho 2007
Modernidade e puritanismo sexuais

Antes de mais, quero explicitar que a opinião que demonstrei atrás, produto do incómodo que o anúncio me causou, não deriva por si só da sua temática sexual. É, antes, a total gratuitidade do spot que me perturba. Porque, contrariamente ao que ouvi ontem dizer na SIC Notícias um responsável da Comissão, muito “blairiano” no ar supostamente modernaço, o que diferencia o cinema europeu do cinema americano em matéria erótica não é a possibilidade de mostrar actos sexuais. Nos Estados Unidos, deixando de lado a indústria de San Fernando Valley, há toda uma produção de filmes softcore que exploram o sexo, normalmente disfarçado por uma intriga policial de sexta categoria. Aliás, a própria dinâmica dos filmes de acção estado-unidenses passa cada vez mais pelo suor que escorre de corpos bem tonificados. Pelo contrário, o cinema europeu caracteriza-se, através de Almodôvar, Godard, Ozon e Chéreau, entre outros, pelo tratamento estético dado ao conteúdo sexual. Ora, o spot do programa Media não tem o mínimo valor estético e, pior, não há qualquer referência a um conteúdo artístico do cinema europeu. Portanto, é um anúncio que visa vender da pior maneira possível: confundindo aquilo que realmente há de específico e atraente no produto promovido.
Não se trata, então, de uma questão de puritanismo sexual. Porque puritanismo é entender que a representação erótica se esgota na mera transgressão e na simples pornografia. Compreende-se, então, que tenham sido preferidos gemidos caricaturais a momentos de intensa beleza como a pudica cena de sexo oral no Intimidade de Patrice Chéreau (2000).
04 julho 2007
01 julho 2007
Filmes do Mês - Junho
Viridiana (1962)de Luis Buñuel
Cinco Mulheres em Torno de Utamaro (1946)de Kenji Mizoguchi
Estreias
Zodiac de David Fincher
Ocean's 13 de Steven Soderbergh
Casa
La Bête Humaine (1938) de Jean Renoir
The Tall T (1957)de Budd Boetticher
Mon oncle d'Amerique (1982) de Alain Resnais
Rendez-Vous (1985) de André Téchiné
Good Will Hunting (1997 - revisão) de Gus van Sandt
Um mês em serviços mínimos.
28 junho 2007
Notas da 'teca (2)

26 junho 2007
Notas da 'teca (1)

19 junho 2007
15 junho 2007
A Indústria do Cool
Ocean’s 13 não é um objecto necessário à história do Cinema ou ao seu momento actual. Não trará quaisquer novos fãs à trilogia. E, inclusivamente, há uma função quase de McGuffin no golpe que domina a segunda metade do filme, tão relevante para a sucessão de piadas privadas que o formam quanto a componente clínica o é para o estudo da misantropia de Gregory House. A função de Ocean’s 13 é uma função predominantemente comercial, a de gerar a liquidez necessária a um cineasta com gosto pelo experimental e a um grupo de actores cada vez mais empenhado política e humanitariamente. Contudo, depois da classe do primeiro e da estupenda auto-irrisão do segundo, o terceiro é um gracioso acumular de mais piadas privadas que, se não fazem rir desbragadamente, pelo menos geram uma recompensadora bonomia – são impagáveis as sequências “revolucionárias” passadas no México. Vale pelos bigodes, pelas próteses nasais e pelas piscadelas de olho ao programa de Oprah Winfrey. Não é muito, mas os travellings e a imaginação visual de Soderbergh compensam largamente a falta de relevância.
Em Almost Famous (Cameron Crowe, 2000), Lester Bangs queixa-se de que o rock foi transformado numa “indústria do cool”. Com este filme acontece o mesmo, mas de maneira mais positiva e, paradoxalmente, com mais autenticidade. Não havendo grandes motivos artísticos para um quarto filme, Ocean’s 13 é, então, um objecto à beira da irrelevância desprestigiante que é ganho pela forma descomplexada como alia o lúdico e o rentável ao estético. E será sempre melhor do que qualquer James Bond, paradigmas da mediocridade comercial.
26 maio 2007
20 maio 2007
Sony 240 DX

O meu pai, aqui há uns anos, tinha um emprego que o obrigava a percorrer largas distâncias de automóvel, que incluíam uma viagem semanal pelo sul do país. Ora, longas viagens implicam imenso consumo de gasolina, o que por sua vez, nos finais da década de 1990, gerava pontos nos cartões de uma gasolineira. Pontos esses que eu trocava, com a devida permissão paternal, por cassetes de vídeo Sony 240 DX, que ainda hoje se apoiam umas nas outras de forma absolutamente caótica no topo do meu roupeiro, cobertas por uma camada de pó que não elimino com a devida frequência.
(Permitam-me um momento para lembrar a memória das cassetes que terminaram a sua existência ou ficaram severamente mutiladas devido à queda desse mesmo topo. No primeiro caso, inclui-se a cassete que continha La Reine Margot de Patrice Chereau e New York 1997 de John Carpenter; no segundo, inclui-se a cassete onde está The Life and Death of Collonel Blimp de M. Powell e E. Pressburger. O filme dos britânicos, apesar do buraco que deixa ver a fita e de fazer imenso barulho quando é visto, ainda está visível; os outros dois grandes filmes já foram recuperados, felizmente, mas há que resgatar os antepassados das versões que agora tenho do esquecimento.)

Quando o dvd chegou, fiquei contente, não apenas pelas capacidades sonoras e imagéticas que o suporte permite, como também pela maior facilidade de atingir um momento específico no fluxo de um filme. Igualmente importantes, apareceram os extras, utilíssimos pedaços de contextualização que nos aproximam da história do Cinema. Contudo, pouco tempo depois, surgiu a hipótese de copiar, com toda a simplicidade, esses mesmos dvds – o que lhes deu um ar asséptico, meramente utilitário, quase descartável – a partir desse momento, o símbolo da TDK passou a fazer parte da decoração das nossas casas de forma tão intrínseca quanto as bíblias encontradas nos quartos dos motéis norte-americanos. Actualmente, o dvd é um formato moribundo, substituído pelos motores de partilha de ficheiros e, pior, pela guerra entre o Blu-Ray e o HD-DVD, formatos que, sendo notáveis pela digitalização, pretendem apenas fazer o espectador voltar a gastar dinheiro nos filmes de que gosta. É tudo uma questão de re-embalagem.
No meio disto tudo, o que se perde? Simples: o fetichismo. O tempo de vida cada suporte é cada vez mais curto, e cada suporte tem sido progressivamente mais pequeno, até ao ponto de os mais recentes serem imateriais – o digital. A substituição possível é a “memorabilia”, cartazes, tapetes de rato, isqueiros, etc.
Não se trata de querer fazer o tempo regredir, de ter saudades ou saudosismos. Há perto de dois anos que não gravo uma cassete, até pelo preço que estas atingiram. Por outro lado, das perto de 220 cassetes que tenho, ainda há muitas que não vi, e quero fazê-lo antes que o meu vídeo dê o berro. Trata-se antes de celebrar um tempo: o tempo em que eu prezava o suporte em que os meus filmes estavam preservados.

15 maio 2007
14 maio 2007
O neo-realismo do futuro



09 maio 2007
You Can't Go Home Again




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