
28 setembro 2008
07 setembro 2008
Suicide is painless

No meio disto tudo, Altman nunca nos deixa esquecer onde Hawkeye, Trapper, Duke, Hot Lips, Frank Burns e Radar (Gary Burghoff, o único actor que viria a transitar com a mesma personagem para a não menos excelente série de televisão) estão. Se há perdão (quer no sentido divino quer no de César, na pessoa do Coronel Burke) para as tropelias que estes cirurgiões fazem a tudo e todas que lhes aparecem à frente, tal deve-se não apenas ao facto de bons cirurgiões serem difíceis de encontrar, mas também à noção de que pouco depois de as fazerem terão as mãos nas tripas de um qualquer jovem do Utah ou do Illinois. Tanto quanto de escapismo, há um desejo de paz a perpassar este enorme filme. É isso que o torna grande.
Revisão da Matéria Dada - III
2. Wall-E. Não há estúdio como a Pixar; quem já lhes tiver visto um filme mau que atire a primeira pedra. Wall-E é soberbo na sua primeira parte, razoavelmente “muda”, em que o patusco robot limpador de lixo desempenha, num tom mimoso, as suas tarefas e se enamora de uma semelhante. Na nave espacial, o tom é menos interessante, e a mensagem (de necessário pendor ecologista), sobrepõe-se um pouco à estética. Não nos enganemos, porém: o que aqui está é cinema de grande calibre, de técnica perfeita e de óptima respiração temporal. Não chega ao nível de Cars, mas isso pouco importa; enquanto dura é envolvente, belo e exemplar.
3. The Hottest State. Saco de porrada para muito boa gente, o filme de Ethan Hawke tem poucas qualidades que suplantam os seus largos defeitos. Hawke não tem grande olhar de cineasta, o seu filme é de ritmo flutuante e até a própria montagem é questionável. No entanto, este filme tem gente lá dentro, tem actores soberbos e disponíveis (Mark Webber e Catalina Sandino Moreno, para além da soberba Laura Linney) e tem um conjunto de frases notáveis que fazem pensar seriamente em ler o livro. Se há algo de notoriamente artificial em tudo isto, há também algo de sério, de humano, de nervo á flor da pele. Visto por esse prisma, merece tudo.
24 agosto 2008
Fora isso, nada com que te preocupares (2)
idem
Fora isso, nada com que te preocupares
TVI, Sexta-Feira, 22:00

Ao ver The X-Files: I want to believe, o que me surpreende mais é o quanto o mundo mudou. The X-Files foi, juntamente com Seinfeld, a série dos anos 90 que melhor capturou o zeitgeist. Seinfeld era a série que melhor exemplificava o fim da História de que falava Francis Fukuyama: num mundo sem grandes quezílias político-ideológicas, de prosperidade económica e onde, facto assustador, a moral desapareceu porque Deus morreu, tudo são hilariantes trivialidades. The X-Files era o seu duplo: sem a paranóia anti-vermelha, e com a aparência de que, geo-estratégicamente, tudo estava resolvido, olhava-se, a um tempo, totalmente para fora e totalmente para dentro. Fox Mulder, no fundo, é isso: alguém que se enterra no estratosférico e, de caminho, olha para si mesmo e nunca gosta do que vê. Simultaneamente, a América que já não tinha ameaças exteriores tratava de as encontrar no seu próprio território.
Entrando no cliché, esta visão serviu também para perceber o que mudei: aquilo que me fascinava há 15 anos, hoje não me convence. O problema reside em saber se isso é apenas do filme, banal e esquemático, ou se conseguirei rever a série com o mesmo fascínio da minha meninice. Palpita-me que não.
27 julho 2008
Expliquem-me...
Oiço isto desde criança e, infelizmente, com cada vez mais frequência. Percebo a ideia de ser um filme ser um bom swashbuckler, um bom noir, um bom gidai geki ou um bom western. Já a ideia de que um filme é na generalidade fraco mas, dentro do género, até é bom, escapa-me.
Numa altura em que se critica tanto (e com alguma razão) o relativismo moral, gostava que se criticasse este relativismo cinematográfico, a um tempo fruto e gerador de falta de exigência crítica.
13 julho 2008
Digo eu...
Cá para mim, muito menos interessante.
12 julho 2008
Optimus Alive 2008 - texto impressionista
Entrada. Estacionar é muito dificil, e, quando finalmente se deu um euro a um arrumador e se arranjou um buraco para a viatura, dirigimo-nos para o festival. Um calor abrasador e uma colocação de barricadas em 3 ou 4 espaços antes da entrada derradeira. Processo de quase uma hora no total. Quando dentro do recinto, a primeira coisa que se faz é ir buscar uma jola e arranjar lugar decente para ver os Vampire Weekend.
Não gosto assim tanto do disco de estreia destes nova-iorquinos. Sobre-produzido e algo frouxo, deixa, ainda assim, antever um talento maior que o demonstrado, em temas como Cape Cod ou Oxford Coma. Ao vivo, no entanto, é outra coisa… Enérgicos, competentes e com imensos fãs à frente (vi uma pessoa ser assistida devido à pressão do muito público para a capacidade das filas da frente da tenda Metro), as suas belas canções têm enorme força, sendo um estimulo simultaneo para o salto e para o pensamento. Em crescendo, foi um momento de fruição muito boa, aperitivo perfeito para o que viria. Com o tempo, estes americanos com ar de bifes têm tudo para melhorar.
My mind’s not right ou Como me tornei um adolescente de 14 anos a tentar tocar no Matt Berninger
Momentos finais do concerto dos National, algo por que tinha esperado desde que descobri Aligator. Mr November explode nos amplificadores. Metade da canção e Matt Berninger desce do palco, pendurando-se na grade. O pessoal começa-se a esmagar e eu digo à minha namorada “Sai da frente!”. Vou a correr para a frente do palco e… ele regressa ao palco antes de lhe conseguir tocar. Falhei o objectivo, mas a corrida valeu a pena. E, depois disto, não preciso dizer quanto gostei, pois não?
E, nisto, até me esqueci de dizer que o espectaculo dos National, infelizmente, coincidiu com os MGMT no palco Metro, banda que queria imenso ver. Fica para a próxima.
Drum machines have no soul ou Esta banda mata fascistas
Conheço 319 bandas melhores que os Gogol Bordello. Não conheço nenhuma que dê um espectaculo destes, rock, raiva, entrega, transpiração e uma confusão do catano. Ao meu lado, mosh e ganza a rodos. E eu e a Sandra, encharcados em suor e cervejas alheias, que nos caíram em cima com os saltos dos outros. No palco, a apoteose. E isto, não sendo um grande momento musical, é aquilo que o palco devia instigar em todos os que fazem música. Meio bilhete foi para aqui.
Depois disto, os meus pés estavam em papa, as minhas costas doíam e entrava no emprego ás nove do dia seguinte. Ao ir-me embora, pensei que tinham sido os 45 euros mais justificados dos últimos tempos.
06 julho 2008
03 julho 2008
!Que post tan raro!
Que fiz eu para merecer isto (7)
Matador (8)
A Lei do desejo (10)
Mulheres à beira de um ataque de nervos (10)
Ata-me! (8.5)
Kika (8.5)
A Flor do meu segredo (6.5)
Em carne viva (5.75)
Tudo sobre a minha mãe (10)
Fala com ela (8.5)
La Mala Education (7.5)
Volver (8)
[Gostava especialmente - mas não exclusivamente - de ver as notas do Daniel, do Hugo, do Zé, do Paulo e do Tiago]
29 junho 2008
Fazedores de Auschwitz

19 junho 2008
18 junho 2008
14 junho 2008
Revisão da Matéria Dada - II
2.Sex & the City. Duas horas e quinze minutos depois, chega-se à conclusão de que este filme não existe. É um buraco negro cinematográfico, que cospe o interesse da série num lixo inane e óbvio para consumo rápido.
3.La Graine et le Mullet. Um fantástico épico proletário sobre a vontade de ser alguém e de deixar legado, mesmo que à beira da morte. Kechciche possui um estilo maleável e fortemente realista, procurando, com os seus planos muito fechados, quase imiscuir-se na realidade daquilo que filma. Habib Boufares e Hafsia Herzi são fantásticos, a gestão do tempo é admirável (duas horas e meia que passam num ápice) e, no final, ficamos com a sensação de termos estado in loco com aquelas pessoas, produtos da descolonização e vítimas da globalização. Fantástico.


