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28 dezembro 2011

2011 - Discos (Ordem Alfabética)

Bon Iver - Bon Iver
Death Cab for Cutie - Codes and Keys
Feist - Metals
Fleet Foxes - Helplessness Blues
James Blake - James Blake
Linda Martini - Casa Ocupada
Metronomy - The English Riviera
Paus - Paus
PJ Harvey - Let England Shake
Real Estate - Days
The Black Keys - El Camino
Tom Waits - Bad as Me

14 julho 2011

Optimus 2011 Alive - Não estou aqui





O primeiro dia do Optimus Alive 2011 foi para mim um dia de teste. Na fase em que estou, em termos de saúde, queria saber se aguentava fisicamente estas horas ao calor, se conseguia estar de pé tanto tempo e se me conseguia concentrar. Serviu, assim, para ensaio para o SBSR. O resultado foi misto, mas não foi nem de perto nem de longe o festival que queria ver.
Em primeiro lugar, uma nota sobre o próprio festival. Apenas lá tinha ido em 2007 e é salutar ver o quanto cresceu em quatro anos. Muito maior o recinto, maiores e melhores os lavabos, o palco secundário com muito mais condições e, em suma, uma dimensão de grande festival, a faltarem apenas alguns palcos para ser de nível europeu. Este aspecto é muito salutar, bem como a quantidade de grandes nomes internacionais a actuarem.

O Verão Azul ou Impróprio para diabéticos: A Amor Fúria, que no dia 06 de Julho ocupou o palco Optimus Clubbing, num tempo em que as editoras não têm um décimo da importância que costumavam ter, poderá vir a ser um fenómeno como foi a Ama Romanta (Pop Dell’Arte, Mler Ife Dada) nos anos 80. Bandas como Os Velhos ou Feromona têm energia, personalidade e contemporaneidade para dar e vender. Infelizmente, estas bandas só tocariam mais tarde, quando havia outros concertos para ver. Vi então, o duo electro-pop naif O Verão Azul e não fiquei nada impressionado. Delicodoces, com influências electrónicas como Animal Collective e Beirut, são enjoativos (as letras incluem sempre “o amor”, “a praia” ou “a cidade”), desinteressantes, repetitivos e inconsequentes. Não me parece que vão a grande lado.

The Naked and the Famous ou Banda a seguir: Vestidos e desconhecidos, estes neo-zelandezes, de quem vi as últimas 3 canções, fazem uma pop electrónica com laivos de shoegaze, a lembrar os MGMT antes de lhes dar a travadinha, e parecem ter animado os espectadores, sobretudo no final com o semi-sucesso "Young Blood", habitual na Radar. Não posso dizer muito mais, mas creio que podem ser banda a seguir e o público que já lá estava parecia ter-se divertido imensamente.

Twilight Singers ou Quem são estes velhos?: Quando, depois de meia-dúzia de canções em frente ao palco, volto para junto do grupo com quem vou, a minha amiga Andreia pergunta-me “Sabes quem são estes velhos?” A frase é sintomática da desapropriação da nova banda de Greg Dulli ao espaço e à hora, demasiado solar para o rock escuro, urbano e alcóolico que mostraram durante perto de uma hora, para desinteresse generalizado. Creio que teriam ficado melhor no palco secundário. Concerto sem incidentes nem momentos memoráveis.

Grouplove ou Quem?: Porque raio esta banda, com apenas um ep editado, toca no palco principal, depois dos Twilight Singers? Questão difícil de responder nas quatro ou cinco canções que deles vi onde mostraram o seu indie-rock enérgico, simpático, mas que não augura nada de transcendente para o futuro. É certo que alegraram o público e que tiveram dificuldades durante o espectáculo (o PA falhou duas vezes), mas é uma escolha que faria, também, muito mais sentido a abrir o palco Super Bock e que não deixou saudades.

James Blake ou Podes baixar isso?: Não tenho a mais pequena dúvida de que o disco de estreia de James Blake é dos momentos cimeiros do ano, pequena pérola silenciosa e austera em base de electrónica dub-step. Foi então com muita expectativa que me dirigi ao palco Super Bock para ver o primeiro concerto do britânico em Portugal. Tudo normal na primeira canção, mas antes da segunda, Blake pede audivelmente ao engenheiro de som que ponha os drones mais altos. Lentamente, o concerto torna-se dificil para mim e a pulsão dos graves, absurdamente altos quando saem das colunas, torna-se impeditiva. Também estava sozinho, o que não ajudou – quando se sai de um grupo para se ver um concerto sozinho é difícil não estranhar – e ainda aguento "I Don´t Blame You", mas com os ouvidos a rebentar saio da tenda e volto para o palco principal. Talvez um dia o veja na Aula Magna ou no Coliseu, de preferência longe das colunas. Infelizmente, uma oportunidade perdida.



Blondie ou Nossa Senhora da Geriatria: Os Blondie foram sempre das minhas bandas preferidas, um imenso caldeirão pop que ia do punk ao reggae e ao proto-hip hop, uma banda essencial na sua época e cujo sentido de mistura estética influenciou imensas bandas (não haveria, apesar das diferenças, uns Franz Ferdinand se não fossem os nova-iorquinos). Inclusivamente, vi-os em 2000 na Praça Sony e gostei imenso, pois nessa primeira reunião mostram energia, capacidade técnica e boas canções. Foi, então, um enorme choque o lastimável concerto que deram, uma banda decrépita a estragar as suas melhores canções (a minha predilecta "Hanging on the telephone", por exemplo, é totalmente insonsa) e uma líder que de bomba sexual passou a avózinha supostamente rock mas que mais facilmente imagino num sábado de manhã a comprar carapaus na praça enquanto fala dos netos. Triste.

Coldplay ou Trá-lá-lá pago a peso de ouro para delírio da populaça: De Parachutes (2000) até hoje, o percurso dos Coldplay foi de um crescimento desmesurado, de banda que passa despercebida em Paredes de Coura a banda que mete 50 mil pessoas num festival. Actualmente, mesmo canções mais intimistas como "Yellow" ou "Shivers" são hinos de estádio e a pirotecnia está presente em todos os momentos do concerto. No meu caso, apesar de não gostar particularmente dos Coldplay, já os vi 3 vezes ao vivo. Na primeira, porque até gostava do primeiro álbum, as duas outras para acompanhar a minha companheira. Esta foi a vez de que gostei menos: muito gigantismo, muita luz e muita cor, uma vontade de deixarem de ser a Chris Martin Band e passarem a ser um grupo de indivíduos, e todas as canções megalómanas, mesmo as mais vazias – e há bastantes. São esforçados, agradáveis e é divertido enquanto dura, mas sei por onde vou e sei que não vou por ali.

Ainda vi cinco ou seis canções dos Homens da Luta no coreto, mas acho que isso é mais pandega que música – e foi dos momentos deste dia em que me diverti mais. À saída, de rastos, pensava que nos dias seguintes ia perder Primal Scream, The Stooges, Fleet Foxes, WU LYF e Tv on the Radio, a juntar a Ana Calvi, que tristemente troquei pelos Blondie. Diverti-me neste dia, cortesia dos amigos com quem estava, mas, musicalmente, deixou muito a desejar.




08 maio 2011

IndieLisboa 2011 - Edição FMI (1)


São dias complicados. Aqueles senhores a aterrar na Portela e tudo o que com eles aí vem gera cortes na cultura, nos dois sentidos: no dos produtores e no dos consumidores. Assim, in loco, verei apenas dois filmes, que não podia mesmo perder, para os quais os bilhetes já estão adquiridos: Post Mortem de Pablo Larrain e Meek’s Cutoff de Kelly Reichardt. Acontece que, actualmente, já há formas de tornear a falta de verbas para o cinema e, assim que vi a programação, fui à procura de formas “alternativas” de poder seguir o certame. Não fui particularmente bem-sucedido em quantidade, mas consegui obter dois filmes que poderei ver como se lá estivesse.

Mas será mesmo assim? Claro que não. Estamos apenas dois em casa, a Sandra passa uma pilha de roupa a ferro e lá vai olhando para a tv, desconfiada mas com crescente curiosidade; eu adormeço a dada altura, tendo de retroceder na visão do filme para apanhar o fio à meada. É, no fundo, bem diferente, mas é o que é possível neste momento. E o primeiro filme a sofrer as consequências foi Lemmy, realizado pela dupla Greg Olliver e Wes Orshoski, panegírico dedicado ao histórico líder dos Motorhead. Documentário de estrutura convencional, intercalando momentos na vida do objecto de estudo com (demasiadas) entrevistas a fãs (entre os quais os inesperadíssimos Peter Hook e Jarvis Cocker, entre outros mais previsíveis), aposta (e consegue) mostrar como e porquê aquilo que parece repetitivo para os não-fãs, aquela música de coices intermináveis e que parece sempre uma locomotiva em máxima potência, é fundamental para muito boa gente. Quanto ao próprio Lemmy, é como Dylan ou Young ou Cohen ou qualquer um dos outros mitos musicais retratados no cinema: alguém idiossincrático (vive num pequeno apartamento atafulhado onde estão centenas de discos e memorabilia nazi, tem um conhecimento enciclopédico do rock n’ rol e dos grandes conflitos bélicos do século XX e é um fã inveterado de jogos de vídeo), com um look absolutamente fascinante (o verdadeiro cowboy do Inferno, com a eterna barba rockabilly e botas feitas à medida) mas com uma postura enternecedora face ao filho (que conheceu quando tinha já seis anos e que hoje acompanha frequentemente a banda na estrada) e que, por entre cigarros em barda, Jack Daniels com coca-cola e o seu baixo distorcido, existe o melhor que pode e sabe – fantástica a sequência em que explica porque, apesar das groupies (deve ser o tipo de gajo que arranja queca só por aparecer num sítio), permanece sozinho aos sessenta e muitos – sem pedir desculpa a ninguém e com o comedimento que amiúde acompanha os sábios. Lemmy perde apenas pelo convencionalismo do formato, pela duração algo excessiva (podia perder meia-hora) e por não seguir aquilo que parece prometer no primeiro quarto de hora: ser um filme que parte de Lemmy para um retrato da sleazy e metaleira cena rock de Los Angeles, cidade onde o músico se radicou há cerca de 20 anos, em vez de, no último terço, se focar numa das mais recentes digressões mundiais dos Motorhead e ceder definitivamente à previsibilidade. Apesar de tudo, pelas suas virtudes e por ser sobre quem é, não desgostei mesmo nada.

PS - Ah, o subtítulo do filme é "49% Motherfucker, 51% Son of a Bitch". Genial!

23 dezembro 2010

Discos 2010

O meu top 5 do ano:

1 - The Walkmen - "Lisbon"
2 - Vampire Weeknd - "Contra"
3 - Beach House - "Teen Dream"
4 - LCD Soundsystem - "This is Happening"
5 - The National - "High Violet"

E também, por odem alfabética:

Antony and the Johnsons - "Swanlights"
Best Coast - "Crazy for You"
Kanye West - My Beautiful Dark Twisted Fantasy"
Linda Martini - "Casa Ocupada"
Owen Pallett - "Heartland"
Sufjan Stevens - The Age of Adz"
The Gaslight Anthem -"American Slang"
Twin Shadow - "Forget"
Wolf Parade - "Expo 86"

20 novembro 2010

Sombras e Luzes



A Praça de Touros do Campo Pequeno, belíssimo edifício no exterior, é um feio e desconfortável espaço para concertos. Não há um único aspecto em que o Coliseu dos Recreios não lhe seja superior. No entanto, tem sido esse o local de eleição, nos últimos tempos, para concertos em Lisboa. Como tal, no passado dia 12 de Novembro, fez ontem uma semana, lá me dirigi para ver os Interpol, naquele que acabou por ser um excelente concerto e uma prova de vitalidade dos nova-iorquinos depois da saída do baixista Carlos Dengler.


Antes, os Surfer Blood, misto de indie rock com surf music, fizeram uma primeira parte prejudicada pela falta de qualidade de som. Banda nova, com um razoável disco de estreia, Astro Coast (2010), teve um espectáculo necessariamente curto e competente, embora, pelo meio do potencial, deixem ainda transparecer alguma inexperiência.




Relativamente aos Interpol, há duas formas de se perspectivar o seu percurso: i) o de uma banda que lançou o seu melhor material nos seus dois primeiros álbuns e a partir daí decresceu de qualidade; ii) o de uma banda que apesar da superioridade dos seus dois primeiros álbuns, continua a editar material interessante e a ser uma banda de relevo no panorama internacional. Eu afino pelo segundo diapasão e por isso troquei o bilhete de Arcade Fire por um ingresso neste concerto. Começando com “Success”, tema de abertura do novo disco, o que se viu foi um espectáculo ritmado, sem pontos baixos, de uma máquina de palco muito bem rotinada e coadjuvada por um excelente jogo de luzes. É natural que os melhores momentos do concerto tenham sido temas mais antigos como “Narc”, “Slow Hands”, “PDA” ou “Obstacle 1”, mas a conclusão mais importante a retirar desta noite foi a de que a banda tem temas para além dos mais famosos e que se aguentam perfeitamente no embate com aqueles.

Não se espere dos Interpol um espectáculo “de estádio”, digno de “animais de palco” como os discípulos Editors, pois são uma banda mais cerebral, mais atmosférica, mais comedida mesmo quando o ritmo acelera. Mas passou por aqui uma tão flagrante parte da última década e, tout court, tão boa música que foi o fim ideal para mais uma duríssima semana de trabalho.

27 maio 2010

30 de Agosto de 1992



Ao fim de uma porrada de tempo lá consegui ver a emissão do programa Palcos, da RTP-2, dedicada ao mítico concerto dos Nirvana no festival de Reading. E aquilo que a gravação mostra coincide, em parte, à visão entretanto construída: um momento charneira, uma banda no topo da sua forma, o zeitgeist do último grande sub-género que o rock produziu (assim entendido, que não há nome para o que na última década fizeram Strokes, Interpol, Queens of the Stone Age ou White Stripes). Por outro, é inegável que a realização, competente mas algo indiferente, e o esbater do papel do público, com o ruído diminuído e os planos de conjunto escassos, tornam o documento menos marcante do que poderia ser. Por outras palavras, se jamais os Nirvana foram melhores do que naquele momento, pelo concerto é por vezes difícil apreende-lo como cúmulo do grunge.

Porém, enquanto via, não pude deixar de pensar nas seguintes coisas:

i) Há algo de estranho em ver os Nirvana num festival inglês, como há em pensar neles numa cidade/subúrbio norte-americano. Aquela música tresanda a pinhais, rios, frio ou, na pior das hipóteses, a um bairro white trash com condições meteorológicas dignas da cidade de Twin Peaks. Quem o terá percebido melhor foi mesmo Gus van Sant – outro distinto habitante do noroeste dos EUA - no seu brilhante Last Days (2005).

ii) Há muito quem pense que Kurt Cobain se suicidou por ter sido vítima da ideia que criou de si mesmo, a estrela de rock torturada e intransigente para com os seus valores. Melhor dizendo, também Cobain se poderá ter convencido de que era o que os outros viam nele. Puro erro. Aquela música já soava a morte muito antes de 4 de Abril de 1994. Se calhar, a morte é isso mesmo: uma guitarra em perpétuo fuzz.

iii) Comecei a ver, adorei “Aneurysm”, “Drain You” comoveu-me com memórias de outros tempos, “Come As You Are” lembrou-me porque foi esta a primeira banda rock de que verdadeiramente gostei e “Smell’s Like Teen Spirit”, constatei, não perdeu pingo de actualidade. Mas, a meio de um alinhamento arriscadíssimo, que deixa para o fim não os hits mas diversas canções de Bleach (1989) e Incesticide (1992) e antecipa In Utero (1993), algo na minha atenção se perdeu, regressando apenas para a destruição final dos instrumentos, surpreendentemente mais lúdica do que revoltada. Parece que já não consigo levar uma banda tão a sério quanto os Nirvana queriam ser levados, nem os épicos Arcade Fire, nem os sacrossantos The National, nem os actualíssimos LCD Soundsystem. Hoje, até Kurt Cobain é vitima do meu cinismo.

08 março 2010

Linkous RIP

Mark Linkous, dos Sparklehorse, suicidou-se ontem.

20 janeiro 2010

09 dezembro 2009

A banda da década?

You don´t need to find answers/ to questions never asked of you
in “Two More Years”
We promised the world we’d tame it/ What were we hopping for?
in “Pioneers”


Musicalmente, a década que agora finda foi extremamente proveitosa. O rock rejuvenesceu, através dos Strokes, White Stripes, Queens of the Stone Age, Interpol, Yeah Yeah Yeahs e muitos outros. A electrónica deu-nos muitos e bons nomes, mas basta citar LCD Soundsystem para a década estar ganha. Arcade Fire, The National e Antony and the Johnsons foram profunda fonte de catarse. Na pop, o lado arty dos Franz Ferdinand conjugou-se na perfeição com o caleidoscópio dos MGMT e com a desbocada Lily Allen. Em Portugal, discos de Old Jerusalem, Humanos, Linda Martini, os fantásticos Golpes e os sobrevalorizados Pontos Negros dão esperança no futuro. Mas qual foi a banda que melhor capturou o aspecto humano contra e dentro do zeitgeist? A resposta, para mim, só pode ser uma: Bloc Party.



É certo que todos os nomes internacionais atrás referidos são, esteticamente, muito melhores que os Bloc Party. É igualmente certo que são musicalmente limitados. E é indiscutível que o seu percurso tem sido a pique, descendendo da estreia Silent Alarm (2005) para o seguinte A Weekend in the City (2006) e ainda mais com o terceiro Intimacy (2008). Mas os Bloc Party juntam, da forma mais coerente e mais recompensadora, os diversos matizes da vida contemporânea. Banda de canções mais do que de álbuns, neles se pode ver: a energia dos começos ("Little Thoughts"), a espera pelos momentos em que os problemas serão debelados ("Two More Years"), pequenos momentos de declaração amorosa ("So here we are" ou "Sunday"), retratos da vida (sub)urbana ("A Song for Clay" ou "Waiting for the 7 18"), a impotência de quem olha para o mundo virado do avesso e nada consegue fazer ("Pioneers") ou a tristeza pelo fim dos relacionamentos ("Signs"). Por detrás de uma banda aparentemente limitada, esconde-se uma obra bem mais preenchida e sentimentalmente ampla do que parece.



A compor este ramalhete, aparece a construção (a ilusão, se quiserem). Mimetizando o mundo actual, a música dos Bloc Party parece cheia de néons e edifícios de vidros espelhados, de telemóveis topo de gama com acesso ao Facebook e ao Twitter, do crescimento económico normalizador do mundo capitalismo, do bulício nocturno à volta de bares e discotecas onde as pessoas tentam expurgar as suas neuroses e limitações, das madrugadas em que se volta a casa embriagado, com frio e cansado mas com a sensação da catarse feita. Não é que se pareçam connosco (afinal de contas, quantos de nós tocaram em Glastonbury?) mas disfarçam muito bem.



Se os Bloc Party estão a caminho do fim (a falta de qualidade de Intimacy assim o parece indicar), pouco importa. Não terão o futuro que parecem ainda ter os Arcade Fire ou os MGMT, mas isso só parece reforçar o ponto que tento fazer: o de uma música que vive desta década e para esta década como poucas e que, por isso a ela pertence e nela se parece esgotar.

04 setembro 2009

La movida

Na pesquisa que fiz para um texto sobre Pedro Almodóvar que sairá, tudo corra bem, no próximo número da revista Take, soube que o cineasta havia feito parte, nos tempos da Movida, do duo musical Almodóvar & McNamara. Viagem imediata ao Youtube onde me deparei com estes fantásticos exemplos de camp musical. Vejam, que vale a pena!





30 dezembro 2008

12 julho 2008

Optimus Alive 2008 - texto impressionista

As fotos neste post são cortesia do meu telemóvel.

Primeiras impressões

Entrada. Estacionar é muito dificil, e, quando finalmente se deu um euro a um arrumador e se arranjou um buraco para a viatura, dirigimo-nos para o festival. Um calor abrasador e uma colocação de barricadas em 3 ou 4 espaços antes da entrada derradeira. Processo de quase uma hora no total. Quando dentro do recinto, a primeira coisa que se faz é ir buscar uma jola e arranjar lugar decente para ver os Vampire Weekend.

Não gosto assim tanto do disco de estreia destes nova-iorquinos. Sobre-produzido e algo frouxo, deixa, ainda assim, antever um talento maior que o demonstrado, em temas como Cape Cod ou Oxford Coma. Ao vivo, no entanto, é outra coisa… Enérgicos, competentes e com imensos fãs à frente (vi uma pessoa ser assistida devido à pressão do muito público para a capacidade das filas da frente da tenda Metro), as suas belas canções têm enorme força, sendo um estimulo simultaneo para o salto e para o pensamento. Em crescendo, foi um momento de fruição muito boa, aperitivo perfeito para o que viria. Com o tempo, estes americanos com ar de bifes têm tudo para melhorar.

My mind’s not right ou Como me tornei um adolescente de 14 anos a tentar tocar no Matt Berninger

Momentos finais do concerto dos National, algo por que tinha esperado desde que descobri Aligator. Mr November explode nos amplificadores. Metade da canção e Matt Berninger desce do palco, pendurando-se na grade. O pessoal começa-se a esmagar e eu digo à minha namorada “Sai da frente!”. Vou a correr para a frente do palco e… ele regressa ao palco antes de lhe conseguir tocar. Falhei o objectivo, mas a corrida valeu a pena. E, depois disto, não preciso dizer quanto gostei, pois não?

E, nisto, até me esqueci de dizer que o espectaculo dos National, infelizmente, coincidiu com os MGMT no palco Metro, banda que queria imenso ver. Fica para a próxima.

Drum machines have no soul ou Esta banda mata fascistas

Conheço 319 bandas melhores que os Gogol Bordello. Não conheço nenhuma que dê um espectaculo destes, rock, raiva, entrega, transpiração e uma confusão do catano. Ao meu lado, mosh e ganza a rodos. E eu e a Sandra, encharcados em suor e cervejas alheias, que nos caíram em cima com os saltos dos outros. No palco, a apoteose. E isto, não sendo um grande momento musical, é aquilo que o palco devia instigar em todos os que fazem música. Meio bilhete foi para aqui.




Depois disto, os meus pés estavam em papa, as minhas costas doíam e entrava no emprego ás nove do dia seguinte. Ao ir-me embora, pensei que tinham sido os 45 euros mais justificados dos últimos tempos.

19 junho 2008

18 maio 2008

ROCK N´ROLL

Um momento chave: em cima do palco, cospe um dos muitos cigarros que lhe alimentam as prestações. A rodeá-lo, fica uma nuvem de saliva e cinza que só exacerba a sua aura mítica e o seu lado de ser indestrutível.

23 março 2008

Dois corpos que se encontram - serem dois homens é pormenor

Se Les Chansons d'Amour cresce para o final, é em muito devido a esta prodigiosa cena, a coreografar uma das melhores canções que ouvi no ano passado. A emoção que falta ao filme de Christophe Honoré, muito mecânico e algo previsível, em todo o resto da sua duração explode aqui com todo o esplendor. Melhor que o "boy meets girl", só quando duas solidões se encontram. Podem fazer piadas como "Limitação da Vida - o blogue que abafa a palhinha", que estou-me a cagar. Para ver, muitas e muitas vezes.